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Capítulo 10: O Legado do Guardião Terrestre

  A luz da manh? de outono banhava o bosque em tons de ouro e cobre, mas a forma do Guardi?o parecia mais séria do que o habitual. A sua luz etérea cintilava com um sentido de urgência.

  O teu controlo está apurado. A tua for?a é inegável, disse a voz na mente de Moisés. Estás pronto, jovem herói. A academia espera por ti. O teu verdadeiro caminho come?a agora.

  Moisés, de pé no centro da clareira, n?o respondeu de imediato. O seu olhar estava fixo para além das árvores, na dire??o da cidade distante, cujos arranha-céus arranhavam o horizonte. "Eu ainda n?o posso ir", disse ele finalmente, a sua voz calma, mas inabalável.

  O Guardi?o cintilou, uma clara manifesta??o de surpresa. A tua miss?o é cósmica. O teu tempo é precioso. Cada dia que passas aqui é um dia que a escurid?o pode ganhar terreno noutro lugar.

  "Eu sei", respondeu Moisés, virando-se para encarar a figura de luz. "Mas a minha promessa, a primeira e mais importante, foi feita aqui. Há algo que eu tenho de fazer primeiro. Este mundo, o meu mundo, continua perigoso. E eu sou o único que pode fazer alguma coisa a este nível." Ele respirou fundo, a sua determina??o a solidificar-se. "Eu vou marcar o meu nome aqui. N?o por vaidade, mas por necessidade. Vou tornar-me um símbolo t?o forte que, mesmo na minha ausência, aqueles que pensam em cometer crimes graves hesitar?o. Tenho de lhes dar um pouco de paz... uma paz que a minha família nunca teve."

  O Guardi?o ficou em silêncio por um longo momento, a sua forma a pairar, imóvel. Depois, um brilho de imenso e profundo orgulho emanou da sua figura, uma luz mais quente e mais brilhante do que qualquer outra que Moisés já vira. Compreendo, disse a voz, agora tingida de uma admira??o paternal. é um gesto nobre. Talvez o mais nobre de todos. Faz o que tens de fazer.

  E assim, nos meses que se seguiram, uma lenda nasceu.

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  N?o tinha nome, no início. Era apenas um rumor, um sussurro nas ruas mais escuras e uma história de espanto nos noticiários. Era um borr?o dourado que parou uma coluna de carros de assaltantes de bancos como se fossem brinquedos de crian?a, deixando-os amarrados para a polícia chegar. Era uma figura silenciosa que aparecia nos escritórios de detetives sobrecarregados, deixando para trás pen drives com provas cruciais que resolviam casos que estavam parados há anos. Era uma for?a da natureza que salvou dezenas de pessoas de um prédio em chamas, movendo-se mais rápido do que as próprias chamas, uma apari??o de ouro no meio do fumo e do desespero.

  A imprensa, ávida por um nome, chamava-lhe "O Cometa Dourado". Para as pessoas, ele era um anjo da guarda, um milagre moderno que aparecia e desaparecia num piscar de olhos, deixando para trás apenas a seguran?a e um sentimento de admira??o.

  O final do ano chegou, e o mundo era, inegavelmente, um lugar um pouco mais seguro. As taxas de criminalidade tinham caído a pique. As pessoas olhavam para o céu noturno n?o apenas com medo do escuro, mas com um pouco mais de esperan?a.

  Moisés sabia que tinha feito algo incrível. Mas cada vitória tinha um sabor amargo. Cada vida que ele salvava era um lembrete das vidas que n?o conseguira salvar. Lembrou-se do Natal, o primeiro sem a sua família, fechado no seu quarto, a ouvir as risadas e a alegria da família do seu amigo através da porta, um som que era ao mesmo tempo reconfortante e uma faca no seu cora??o.

  E agora, na noite de 31 de dezembro, ele estava sozinho no topo do edifício mais alto da cidade, o vento frio a assobiar à sua volta. Em baixo, o mundo explodia em celebra??es. Fogo de artifício de mil cores pintava o céu, e o som de multid?es a cantar em uníssono subia até ele. E ele estava ali, um guardi?o silencioso, completamente separado de tudo aquilo que protegia. Uma lágrima solitária e gelada escorreu pelo seu rosto enquanto se lembrava do abra?o quente da sua m?e e do sorriso orgulhoso do seu pai no último Ano Novo que partilharam.

  Ele olhou para o céu estrelado, para a imensid?o que em breve seria o seu novo lar. "Está feito", sussurrou ele para as estrelas, a sua voz levada pelo vento. "Eu deixei a minha marca. Estar?o seguros... por enquanto."

  Em janeiro, ele iria partir. O Cometa Dourado, o protetor da Terra, estava prestes a deixar o seu posto. A galáxia, com todos os seus perigos e as suas sombras, esperava por ele.

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