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07 |💫| A Anomalia da Torre

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  Enquanto Samuel observava a máquina colossal, absorvendo a estranheza e o mistério que pairavam sobre aquele lugar, uma altera??o súbita no ambiente chamou sua aten??o. Os dois sentinelas que o vigiavam em silêncio come?aram a se mover dali, desaparecendo logo em seguida. Até as algemas que estavam nos pulsos de Samuel, que naquele momento pareciam t?o firmemente implacáveis, se dissolveram no ar, como se nunca tivessem existido.

  A sensa??o de alívio foi quase palpável, como se a sala tivesse se despojado de um peso invisível.

  Subitamente, uma proje??o holográfica se materializou diante dele, vindo daquele núcleo. N?o era uma figura humana ou de qualquer forma identificável, mas uma distor??o de luz e energia, uma ilus?o fluida e translúcida que se formava e se desfazia como uma névoa tecnológica. A luz da proje??o era pulsante, seu brilho suave iluminava o ambiente com tons de verde que refletiam a mesma energia que preenchia a sala. As linhas do campo de luz se entrela?avam, formando uma estrutura vaga e indefinida, como se o próprio núcleo daquela torre tentasse se comunicar.

  E ent?o, a voz surgiu.

  — Você deve ser a anomalia. — A voz feminina soou direta, claramente metálica e impassível, como se estivesse observando uma curiosidade comum. Havia um tom de desinteresse, como se ela estivesse apenas registrando sua presen?a, sem se importar realmente com sua identidade. — Dr. Lira me informou sobre sua chegada. Parece que você é... um espécime interessante.

  Para aquela voz, Samuel n?o era uma presen?a — era um dado.

  — Sua estrutura n?o corresponde a nenhum padr?o humano registrado.

  Ela parecia observar cada detalhe de Samuel com uma aten??o quase clínica, como se olhasse além de sua aparência, tentando decifrar o que ele realmente era. Mas ent?o, algo chamou sua aten??o e interrompeu seus pensamentos. A proje??o piscou, como se se ajustasse a uma nova percep??o.

  — Hm... Parece que você n?o entende o que estou dizendo. — A voz se ajustou, como se come?asse a perceber que algo n?o estava certo em sua análise.

  A proje??o permaneceu imóvel por tempo demais.

  — Isso n?o deveria acontecer.

  A proje??o desapareceu brevemente, como se a inteligência por trás daquela voz estivesse reorganizando seus parametros. O ambiente se tornou mais silencioso, como se o próprio núcleo da torre estivesse ponderando sobre o próximo passo.

  — Talvez eu deva resolver isso de forma prática. — A proje??o reapareceu, e dessa vez, um pequeno dispositivo apareceu no ar, flutuando suavemente em dire??o a Samuel.

  A voz do núcleo voltou, agora mais enfocada, quase impessoal em sua precis?o.

  This tale has been unlawfully lifted from Royal Road; report any instances of this story if found elsewhere.

  — Sincroniza??o linguística em andamento. Permane?a imóvel.

  Samuel observou o dispositivo, desconfiado. Era semelhante aos comunicadores usados pelos sentinelas, mas mais simples, com uma estrutura compacta. Ele pegou o aparelho, e, após hesitar por um momento, colocou-o em seu ouvido. Imediatamente, um pequeno zumbido soou, e depois, a sensa??o desapareceu, como se nada tivesse ocorrido.

  A proje??o holográfica continuava a observá-lo, sem emo??o, mas com um toque de curiosidade crescente. Como um experimento que estava prestes a revelar algo importante.

  — Interessante... — O núcleo fez uma pausa, o tom de sua voz agora marcado por uma leve impaciência.

  — Identifica??o: P.A. — A voz do núcleo se ajustou, tornando-se mais clara, mais humana de alguma forma.

  Samuel, por fim, se decidiu a falar.

  — Como uma inteligência artificial pode controlar todo esse lugar? — Sua pergunta foi direta, sem hesita??o. Ele estava diante de algo que ultrapassava os limites da tecnologia. Uma inteligência que transcendia o que a humanidade acreditava ser possível.

  P.A. n?o respondeu imediatamente. A proje??o se distorceu, como se estivesse processando aquelas palavras de Samuel. Pela primeira vez, a IA parecia surpresa, n?o com a pergunta, e sim com a linguagem dele. A língua de Samuel era antiga, e ela n?o tinha como saber que ele entenderia aquele tipo de linguagem. Aquilo n?o fazia sentido para ela. Era um sinal claro de que Samuel n?o era apenas mais uma anomalia, mas algo completamente fora do comum.

  A proje??o piscou em várias cores, a luz dan?ando como se estivesse tentando se ajustar a algo novo. Ent?o, a voz retornou, mais suave, mas carregada de uma frieza desconcertante.

  — Você é bem diferente, Samuel. Sua linguagem, suas roupas, sua aparência... Você n?o é daqui... De onde você veio e o que você realmente é?

  Agora, P.A. parecia genuinamente intrigada. Havia uma incerteza em sua voz que antes n?o existia. A curiosidade estava finalmente tomando o lugar da frieza, e isso, de alguma forma, mudava toda a concep??o do que ela sabia.

  — Eu vim ajudar.

  De repente, aquele holograma come?a a enfraquecer. Sua cor que antes era um verde vivo, parecia mais distante. O núcleo estava fraco, muito fraco.

  Samuel percebeu aquela mudan?a drástica de cor.

  — Tem algo errado?

  A proje??o piscou mais uma vez, agora de forma errática, como se estivesse lutando para manter sua forma coesa. A luz verde, antes intensa e vibrante, come?ou a se distorcer, perdendo sua energia, e o som da voz de P.A. ficou fragmentado, como se estivesse enfrentando algum tipo de interferência.

  Embora estivesse relutante, ela admite:

  — Sim... — a voz de P.A. soou agora fraca, quase inaudível, como se estivesse sendo distorcida por uma for?a desconhecida. — Meu corpo...

  Samuel deu um passo à frente, seus sentidos alertas. A sensa??o de urgência o envolveu, mas ao mesmo tempo, uma leve sensa??o de esperan?a surgiu, como se ele estivesse prestes a descobrir algo crucial. A máquina que estava à sua frente, aquela que parecia t?o distante, t?o impessoal, agora parecia estar lutando para se manter viva, como se a própria essência da torre estivesse se desgastando.

  — Minha conex?o... — A voz de P.A. desapareceu momentaneamente, e uma série de sons eletr?nicos se misturaram ao silêncio que tomou conta da sala. A proje??o se desfez por completo, deixando Samuel sozinho, em um espa?o que agora parecia ter se tornado ainda mais sombrio e imenso.

  O silêncio que ficou n?o trouxe respostas — apenas dire??o.

  O desafio só estava come?ando.

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