O mundo muda sem aviso.
N?o há sinal.
N?o há presen?a chegando.
N?o há som.
Há incompatibilidade.
O ar come?a a se comportar como algo que n?o concorda consigo mesmo. N?o gira ainda, hesita. Press?es surgem onde n?o deveriam, como se o espa?o estivesse tentando escolher múltiplas dire??es ao mesmo tempo e falhando em todas.
Ribeiro continua andando.
Porque ninguém disse para parar.
Ent?o Noxyt fala.
"…merda."
N?o é palavra jogada fora.
é registro imediato.
Ribeiro n?o sente perigo.
Sente apenas que o caminhar ficou… impreciso. O passo n?o erra, mas deixa de ser confortável, como se o ch?o tivesse perdido o acordo tácito de sustentar daquele jeito.
"Ribeiro."
A névoa se contrai por hábito antigo.
"O ambiente gasoso entrou em satura??o conceitual."
"N?o é clima."
"N?o é fen?meno."
Pausa curta demais para ser calma.
"é corre??o."
Ribeiro para.
N?o porque entendeu.
Porque o filtro atrasou.
Logo pensou.
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— (Que…?)
O ar fecha.
N?o em torno do corpo, em torno do espa?o. Vértices de press?o surgem como dobras invisíveis, cada um puxando a matéria em um eixo diferente. Onde dois se cruzam, o vazio range.
Noxyt vê.
Vê trinta e dois pontos de instabilidade simultanea.
Vê difus?o for?ada.
Vê o domínio de Gazp sendo aplicado sem inten??o de espetáculo.
"CORRE."
A palavra vem crua.
Sem tradu??o.
Ribeiro obedece.
N?o sabe por quê.
Mas o corpo se move quando o filtro libera urgência suficiente.
O primeiro passo quase falha.
O ar resiste. N?o empurra, tritura. Cada avan?o exige mais existência do que o corpo deveria fornecer. Algo dentro do Ribeiro cede, n?o em dor, mas em ausência nova.
"TELEPORTA."
Ribeiro tenta.
O espa?o n?o aceita imediatamente. O intervalo entre decis?o e deslocamento fica espesso, como se alguém estivesse segurando a página antes de virar.
Noxyt entende.
"Tem mais gente aqui."
N?o “pessoas”.
N?o “presen?as”.
Registros ativos.
Peso sendo recalculado.
Consequência em pré-cobran?a.
Mordren.
O segundo passo arranca algo que n?o volta. N?o memória. N?o sentido. Um limite. Algo que antes dizia “até aqui” simplesmente deixa de existir.
O ar come?a a girar errado.
Agora sim.
— (QUE PORRA é ESSA?)
pensa Ribeiro, tarde demais.
"Depois eu explico o conceito."
"AGORA SAI."
O teleporte acontece rasgado.
N?o é deslocamento limpo. é fuga aceita por exce??o. O espa?o dobra sem elegancia, empurrado pela Tecel? do Vazio Entre, n?o por favor, mas porque o intervalo ainda tolera erro mínimo.
Por um instante, apenas um, Ribeiro n?o está em lugar nenhum.
Noxyt segura o filtro com for?a suficiente para quase quebrá-lo.
O mundo retorna.
Outro ponto da cidade. Mais vazio. Mais longe.
O ar aqui funciona.
Ainda.
Atrás deles, a corre??o n?o persegue.
Porque n?o precisa.
Algo foi anotado.
O custo foi cobrado parcialmente.
A anomalia reagiu.
O processo persistiu.
Em algum lugar fora do alcance sensorial, um parecer é ajustado.
N?o encerrado.
Adiado.
Ribeiro cai de joelhos.
N?o por fraqueza.
Por falta de instru??o.
— (…acabou?)
Pensa.
Noxyt n?o responde de imediato.
Quando responde, n?o conforta.
"N?o."
"Só confirmou."
Silêncio administrativo.
A névoa se rearranja por hábito.
E, mesmo sem entender o que quase o apagou, Ribeiro ainda ocupa espa?o.
Isso, por enquanto, é o bastante.

